Presbiopia: O que é?

Por Dr. Renato Ambrósio Jr.

A presbiopia é um distúrbio da visão caracterizado pela dificuldade de enxergar objetos próximos. Incide progressivamente na maior parte dos indivíduos a partir dos 35 anos e decorre da perda da capacidade de acomodação, mecanismo que permite focalizar distâncias diferentes.

Em situações normais, durante a acomodação, com a contração do músculo ciliar que fica ao redor da lente natural (cristalino), a lente relaxa assumindo poder de convergência maior para focar para perto. Isso ocorre de acordo com o estímulo para ver de perto. Na presbiopia, entretanto, o cristalino vai ficando menos flexível e com isso, perde a capacidade de focalizar, ou seja, quando o paciente tentar ver o objeto de perto ficará mais difícil.

A perda da acomodação é uma consequência do crescimento contínuo do cristalino e da perda de sua elasticidade. Essa disfunção é seguida de formação de catarata, também relacionada com o envelhecimento.

A presbiopia tende a se manifestar mais cedo em pacientes com hipermetropia e mais tarde em pacientes míopes.

Apesar de ser uma condição que ocorre em todas as pessoas, com registro de estudos desde os primórdios da medicina, ainda não há tratamento medicamentoso ou cirúrgico eficaz para restaurar a capacidade de acomodação. Enquanto, esta é uma área de intensas pesquisas, sendo aguardadas alternativas de tratamento. A correção é realizada por meio de lentes positivas – tipicamente óculos de perto, cujo grau se inicia por +1D, progredindo até +3,50D com o avançar da idade. Quando o paciente já usa grau para longe, o grau para perto deve ser adicionado aos óculos. Para esses casos, é possível prescrever óculos com lentes bi ou multifocais, lentes de contato multifocais, ou adotar a estratégia de monovisão ou báscula, na qual se corrige um olho para longe e outro para perto.

A cirurgia de correção visual refrativa pode ser realizada com a mesma estratégia. Entretanto, com a cirurgia personalizada, é possível trabalhar o conceito de amplitude de foco, que permite que ambos os olhos (o tratado para longe e o tratado para perto) também tenham capacidade de enxergar distâncias intermediárias. O estudo tomográfico da córnea e a aberrometria ocular são fundamentais para o planejamento desses casos.

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